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Consultoria 

Prova de Carga em sacada de edifício

* Foram omitidos os dados de identificação das partes e do objeto 

Trata-se de um Parecer Técnico elaborado em conjunto com o engenheiro civil JOSÉ RODOLFO LACERDA, contendo os  os resultados da vistoria e análise da estrutura das sacadas de um Edifício localizado no Litoral do Paraná, solicitado pela administração do Condomínio, com o objetivo principal de informar sobre o atual estado de segurança daqueles componentes da edificação, em razão das reformas já realizadas por alguns proprietários, bem como orientar quanto ao uso e manutenção daquelas áreas.

O Edifício possui 18 pavimentos, sendo um térreo de garagens, um superior de área de lazer, 15 pavimentos tipo contendo cada um uma unidade autônoma, e um pavimento de cobertura com dois salões de festa. A concepção adotada foi estrutura convencional de concreto armado, paredes de vedação de alvenaria de blocos cerâmicos, esquadrias de alumínio, revestimento externo de pastilhas cerâmicas e placas de vidro.

São 16 (dezesseis) sacadas, cada uma com área  de 9,70  m x 2,60 m, executadas com sistema convencional de concreto armado, moldado “in-loco”, constituído de vigas e painéis de laje inferior e superior, formando caixões em balanço, circuncidadas por guarda corpo constituído de montantes metálicos e vidros com a concepção estrutural presumida conforme figuras abaixo:

Na construção original, o piso das sacadas possui um desnível máximo de 5 cm em relação ao piso da sala, revestimento com placas cerâmicas e guarda corpo de alumínio com altura de 1,00 m envidraçado no seu entorno. Constatou-se que ocorreram reformas no interior de diversas unidades autônomas – Quadro 1, alterando a concepção arquitetônica original das sacadas, causando sobrecarga em função de:

 

  • nivelamento com o piso da sala (enchimento);

  • revestimento de pedra (mármores e granitos);

  • fechamento no entorno com vidro e=10mm do piso ao teto

As sacadas foram dimensionadas para resistir às solicitações decorrentes das cargas de peso próprio (vigas, laje de piso e laje de forro) + sobrecargas fixas (guarda corpo com vidro, contrapiso, impermeabilização, proteção mecânica e lajotas cerâmicas de piso) + sobrecargas acidentais (pessoas, móveis, vasos).

 

Pela simples inspeção visual, constatou-se que para as cargas acima o comportamento estrutural está rigorosamente dentro dos parâmetros normativos, perfeitamente estável, com seu coeficiente de segurança atendendo a NBR 6118/80, pois não apresenta fissuras nem tampouco deformações ou vibrações.

 

 

Considerando a pretensão dos condôminos em estender a sala, por conseguinte, incorporar a sacada ao mesmo ambiente e ainda “fechar” completamente o recinto, teremos destarte, os seguintes novos carregamentos:

 

a) enchimento do piso:

 

g = 0,05m x 2,0 tf/m³ = 0,100 tf/m²

 

 

b) fechamento lateral com vidro e=10mm:

 

q = 0,01 m x 2,3 m x 2,5 tf/ m³ = 0,0575 tf/m

 

 

Esses dois novos carregamentos irão gerar um “incremento” de momento na sacada, igual a:

 

                                 ∆M = 0,10 x 2,30 x 1,30 + 0,0575 x 2,45 = 0,44 tf.m / m

Considerando a ausência do projeto estrutural, em atendimento às recomendações da NBR 6118, foi realizado o ensaio especial tipo “Prova de Carga” conforme os ditames da NBR 9607.

 

Para a realização do ensaio, foram adicionados na borda da sacada do primeiro pavimento tipo 8 tambores com diâmetro D=0,58 m e altura h=0,85m e 7 baldes de diâmetro D=38 cm e altura h=0,55 m (cargueiras) os quais foram completados com água, perfazendo uma carga total de 2.300 kgf = 0,237 tf/m.

 

Sob a borda da sacada foi instalado um sistema de 3 (três) defletores dotados de relógios comparador de precisão, sensível a 0,01mm. As leituras foram realizadas para meia carga, 2/3 da carga, carga total, após 60 minutos da carga total e após o descarregamento.

O incremento de momento introduzido na estrutura com as cargueiras foi então de:

 

                                 ∆M = 0,237 x 2,20 = 0,522 tf.m / m

 

Portanto foi adicionado na estrutura uma solicitação de 0,522 tf.m/m, 18,6% maior que o futuro incremento, e os resultados obtidos foram:

 

Ponto E (esq.)    =             0,18 mm

Ponto C (centro) =           0,85 mm

Ponto D (dir.) =                0,20 mm

A deformação admissível, para todas as cargas atuantes é:

 

F adm = 1/300 x 260 = 8,7 mm, e para as cargas acidentais  é de 4,0 mm.

 

Desta forma, temos que:

fD = 0,20 mm < f adm

fC = 0,85 mm < f adm

Fe = 0,18 mm < f adm

Informações Complementares

Foram extraídos “testemunhos” da estrutura, os quais foram posteriormente rompidos em laboratório para a determinação da resistência do concreto. Os resultados deste procedimento apontaram para um fck est na idade atual de 30,00 Mpa, valor este bem superior ao valor usualmente considerado em projeto (fck=20 Mpa) na época da construção, o que comprova o bom desempenho da estrutura durante a prova de carga e ao funcionamento estrutural global do edifício.

 

Complementando aos objetivos do trabalho, foi informado que constatou-se anomalias na edificação, provenientes de fatores  construtivos e funcionais,  ou seja, falhas de execução ou de materiais e outras decorrentes de uso inadequado, envelhecimento, falta de manutenção ou manutenção inadequada.

Conclusões

 

As análises realizadas permitiram concluir que as sacadas do Edifício, na forma como se apresentavam, possuíam resistência suficiente para serem utilizadas como extensão da sala de estar, compreendendo o acréscimo da carga permanente com o fechamento lateral e o nivelamento do piso.

Foi esclarecido ainda que:

 

A1. –  A SOBRECARGA ACIDENTAL NÃO DEVE EXCEDER OS LIMITES NORMATIVOS, DEVENDO FICAR RESTRITA AOS 150 KGF/M²;

 

A2. – preferencialmente, utilizar  como enchimento para o nivelamento do piso, material leve, como por exemplo placas de poliestireno de alta densidade.

 

Tendo em vista que foi constatada a existência de anomalias nas áreas vistoriadas, recomendou-se PRELIMINARMENTE, a execução de uma Inspeção Predial, para a verificação das conformidades de uso e manutenção de todos os componentes construtivos da edificação, para a posterior implantação do plano de manutenção com ações corretivas e preventivas, baseado na norma NBR 5674 – Manutenção de Edificações. 

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